Quanto vale uma medalha?


Memórias da participação nas Travessias/Maratonas Aquáticas

Quanto vale uma medalha? Se pegarmos friamente, vai depender da cotação do metal. Bem... vamos
colocar também o custo da viagem, refeição, pedágio, etc... Não, isso é materialista demais.

A medalha tem cores, peso, sabores, memórias. Sim, ela vale cada sacrífico e esforço para levantar cedo e ir nadar na água fria. Só a gente que se propõe a isso sabe o quão duro pode ser. Mas ao mesmo tempo saboroso ao final.

Tem sabor de água salgada do mar, com a saliva doce misturada com o ar. Nas marolas engulimos água; nos treinos de respiração frontal também.

Tem a cor do sol cegante que praticamente perfura os olhos, justamente onde tinha que ser nosso destino. Se os Titãs estivessem tocando, bradariam “a luz do sol me incomoda, então deixa a cortina fechada”. Fechar a cortina? Nem por decreto! O cenário paradisíaco da orla não pode ser bloqueado.

Tem o peso do esforço contínuo de cada braçada, que extenua sempre antes da jornada competitiva. A medalha não apareceu na hora, ela é veio dos treinos no Posto 6 (Copacabana). Materializou-se ali. Ela já estava no peito antes. Os treinos forjaram isso.

Memórias… Ah, as memórias. Querem quais? As do preparo ou as da nossa empreitada? Vejamos….

Vamos aos fatos. Sempre quis participar de Maratonas Aquáticas/Travessias. Logo, o anúncio destas competições acende o alerta. Por integrar um grupo coeso e amigo, procurei por estimular e arregimentar o maior número possível de parceiros para esta empreitada.

Temos o dia da prova. Como praxe, atraso. Mas foi bom para contribuir na minha digestão sempre indigesta. Chegando lá boias distribuídas e vem o pensamento “putz, estão longe…”. Bem, a turma é acelerada e competitiva. Meu objetivo? Chegar ao final. Chegar à primeira boia demandou esforço. O ritmo ainda se ajustava. Vem a segunda… vem o retorno à partida para a primeira volta. Uma voz canalha surge: “desiste, não vai dar para aguentar…”. Canalha e cretina. Ecoou, mas o barulho da água batendo e da turma do lado de fora foi mais alto. “Vai André!” , um brado bem mais sonoro e edificante.

Retorno para a segunda e derradeira volta. E… bem… não é que está gostoso? Pois é, o ritmo surgiu. A cada braçada, o mantra em ritmos cíclicos, como os tambores que repercutem a seguir: “olha a técnica”, “alonga o braço e estica mais um pouco”. Criei competições internas com adversários que esbarraram em mim e ficaram mal encarados. Ultrapassei um a um. Encontrei uma “bússola para cego dentro da água” que se tornou o áudio da organização e vim. Cheguei. Torcida organizada. Embandeirada… Bem, isso é um capítulo à parte. Entregaram a bandeira da equipe e o brio encheu o peito esvaziado de ar. Cobri-me com ela como atleta olímpico. Veni, Vidi, Vici. Nada mais significativo do que a fala do general romano Júlio Cesar.

Resumo da participação em Travessias Aquáticas: experiências diversas; momentos pessoais e atléticos com suas características. Em comum a evolução do ponto A ao ponto B. Muita água gelada, enjôo, sermões, apoio, palavras de incentivo, temores familiares, elogio de alguns e pouco caso de outros. É dialético o processo: o homem nunca se banha no mesmo Rio duas vezes, nem um ou outro são iguais. A lógica vale para os mares, onde cada dia é um dia. O saldo? Saímos de cada travessia melhores, seja na água salgada ou na vida e seu curso inesperado.

 

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