Cresce procura de cariocas por natação no mar

 

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RIO – A professora Cláudia Almeida, de 49 anos, sempre praticou esportes para se manter saudável. E ano passado tomou uma decisão ousada: inscreveu-se na XTerra, uma das competições mais radicais no país. Só havia um problema: a prova era de natação… no mar! Além de não ter técnica para nadar nessas águas, Cláudia morria de medo. Mesmo assim, treinou, encarou o desafio. E terminou feliz em vencer seus próprios limites, conseguindo participar de uma competição de atletas. Já Inaê Freitas, de 57 anos, viveu décadas em Brasília. Agora, morando no Rio, decidiu voltar a nadar em mar aberto. Este é também um dos esportes do triatleta Ricardo Kamel, de 32 anos. Cláudia, Inaê e Ricardo têm motivos diferentes para cair no mar; e não estão sozinhos.

Um número crescente de pessoas de todas as idades está praticando a modalidade, por lazer ou para participar de maratonas aquáticas. A maior procura por esse esporte tem explicação. Além dos benefícios da natação, como melhor condicionamento físico, a prática no mar permite o contato com a natureza. No Rio, o trecho preferido é Copacabana, com maior concentração de amadores e atletas nos Postos 5 e 6. Nas primeiras braçadas, é fácil perceber que o ambiente no mar em nada lembra o da piscina. No mar, não dá para orientar-se pela borda, ou pela raia ou ainda pelo fundo. Dependendo do clima, tem correnteza, vento e mudança de temperatura na água. Por outro lado, dá até para nadar acompanhado de cardumes de peixes, tartarugas e golfinhos. E ainda há o estímulo de vencer desafios, diz o professor Educação Física Mario Jorge Hilarino, da equipe O Treino:

— Basta saber nadar no estilo crawl para iniciar as aulas. Treinamos distâncias diferentes, dependendo das condições físicas e dos objetivos de cada aluno. Eles fazem percursos de 400m, 600m, 1km, 3km, 4km, 10km.

Quando as condições do mar não permitem nadar, o que acontece poucas vezes, diz Jorge, os alunos se exercitam na areia. Outro treino é o de permanência no mar, quando se aprende a flutuar para descansar. Assim, o nadador fica autoconfiante e não entra em desespero se precisar parar no meio do caminho. Outra diferença em relação à piscina é a técnica. O aluno respira de outra forma; trabalha mais os braços e flutua mais facilmente. O resultado é melhor qualidade de vida. Algo que Inaê já comprovou:

— Depois que voltei a nadar no mar me sinto mais saudável, como se tivesse 30 anos. E nadar vendo o Sol nascer é indescritível. Sem falar que, no mar, o treino é completo.Mineira, Cláudia aprendeu a nadar há um ano em piscina e hoje prefere o mar:

— Logo eu que morria de medo de botar o pé na areia.

Já a tradutora e intérprete Érika Eyff, de 68 anos, começou na infância. Hoje nada quatro vezes por semana e participa de maratonas aquáticas. Graças a esse esporte tem corpo e mente mais saudáveis, conta.

— Aos 15 anos eu participava de travessias no Rio Guaíba. Nadar no mar é uma terapia. Diferentemente da piscina, não temos certeza do que acontecerá. É uma aventura — afirma Érika, que aprendeu a nadar sozinha aos 10 anos, em Porto Alegre, e recentemente participou do Circuito Desafio Light Rei e Rainha do Mar e nada pelo Clube de Regatas Icaraí.

O professor de triatlon Diego Porto, que treina alunos da academia Velox no posto 5, conta que, no inicio, há quem tenha certo medo com as aulas. As pessoas aprendem a vencer o desafio.

— Com a inclusão de prova de travessia em mar nas últimas Olimpíadas, o interesse pela modalidade aumentou — diz.

Luiz Lima, ex-atleta olímpico de natação, dá aulas de natação no mar e diz que na piscina é muito diferente:

— A natação em piscina é previsível. Você já sabe as condições que vai enfrentar. A temperatura, a densidade e as distâncias são as mesmas, a água está parada. No mar, temos interferências do vento e da ondulação — diz.

A forma de respirar no mar também é diferente:

— É mais frontal. O nadador tem que olhar para frente para se guiar. E a posição de nado é outra. Além disso, a natação no mar proporciona um grande controle emocional — afirma o nadador, campeão de travessias em mar aberto. — Por outro lado, a água salgada desidrata mais rapidamente e necessitamos de um consumo maior de líquidos.

E nada de cair no mar sozinho. Se fizer isso, é melhor avisar ao salva-vidas na areia. Os professores recomendam ainda que os nadadores consultem antes seus médicos para um check-up clínico cardiológico. Cuidados com a segurança nunca são demais.

— Procure saber se tem maré puxando, evite afastar-se muito da costa. Em Copacabana, tente nadar no máximo a cem metros da praia. É importante diminuir o risco a fim de não perder a rota. Se for nadar costeando, escolha um ponto fixo, um prédio por exemplo, e se concentre para manter a direção — ensina Lima.

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