Ciclista precisa de muita massa muscular?

Robert Fostermann, chama muita atenção pelo tamanho de suas pernas. Já discuti aqui em Peso e desempenho na subida a importância do atleta tentar desenvolver uma boa relação força/peso para melhorar a sua performance.

No artigo discuti a relação ideal entre o peso e altura dos ciclistas para tentar obter a melhor performance possível, e na maioria das vezes é vantajoso ser um pouco mais magro (mais leve) no que se refere ao desempenho na subida.

Entretanto esse artigo gerou algumas dúvidas e muitos me perguntaram se por causa disso a musculação faria bem ou mal para a melhora de rendimento dos ciclistas, e se o ciclista precisa ter muita massa muscular.

Considero a musculação uma das ferramentas mais importantes para o treinamento dos ciclistas, principalmente para os ciclistas com mais de 35 anos e as ciclistas mulheres.

A musculação, ou como muitos gostam de chamar, o exercício resistido é uma das ferramentas mais fantásticas que existe para melhorar a performance humana. Tanto é verdade, que esportistas de diversas modalidades diferentes incluem a musculação como parte de sua preparação.

O problema, em relação a musculação está no fato de que a maioria das pessoas realiza o trabalho de musculação sem o devido foco e orientação. Aqui vale pagar um bom professor, que entenda um pouco da fisiologia da musculação.

A idéa é simples, quanto mais força você consegue gerar, maior a relação você tem a capacidade de pedalar. E nisso a musculação pode ajudar bastante.

Até pouco tempo achava-se que mais massa muscular era sinônimo de maior potência e maior produção de força no ciclismo. E atletas grandes como Fabiano Cancelara, Robert Forstemann (o ciclista alemão de pista) e Tony Martin, eram tidos como referência. Mas recentemente temos visto ciclistas magrinhos capazes de produzir uma potência incrível ao pedalar, visto a performance recente de Bradley Wiggins e do novato Chris Froome nos contra-relógios do Tour de France ou no TT individual dos Jogos Olímpicos.

 

Mas como isso é possível?

Apesar de um ciclista com mais massa muscular, teoricamente, ser mais capaz de produzir mais força, ciclistas muito grandes podem ter sua relação de força/peso prejudicada (Leia mais em Você sabe o seu peso ideal para competir?).

O que faz de ciclistas magrinhos como Bradley Wiggins ser capaz de pedalar em um ritmo quase inacreditável (no Contra-relógio dos Jogos Olímpicos de Londres, ele pedalou com um volante tamanho 56 mantendo uma cadência acima de 95rpm) é a sua capacidade de recrutamento muscular.

A força é dependente em parte da massa muscular, mas a maioria das pessoas, não consegue aproveitar toda a força que teria em seus músculos por ter uma baixa capacidade de recrutamento muscular. Se pensarmos nas fibras musculares como motores elétricos e no sistema nervoso como fios de energia, é quase como se não tivessemos fios suficientes para ligar todos os motores ao mesmo tempo.

Já no caso de um ciclista eficiente, mesmo sendo magro esse ciclista pode ser capaz de ter uma capacidade de recrutamento muscular muito maior do que uma pessoa comum, assim mesmo não tendo tanta massa msucular, por ter muitos fios para ligar todos os seus motores ao mesmo tempo, um ciclistas desse pode, no final das contas ser mais forte (ou mais capaz de produzir potência na bicicleta) do que um ciclista com mais massa muscular do que ele. Entendeu?

 

Recrutamento Muscular

A idéia é usar a musculação para melhorar o recrutamento muscular, e não para a hipertrofia.

Os resultados que obtemos na musculação dependem da intensidade em que trabalhamos. Pensando em séries máximas (séries realizadas até a fadiga completa) temos o seguinte. Séries na faixa de 2-6 repetições (lembre-se, estamos falando de séries máximas!) produzem os melhores resultados para o aumento da força e melhora do recrutamento muscular. Já séries de 8-12 repetições, são melhores para estimular a hipertrofia do músculo. Já séries acima de 12 repetições trabalham a resistência muscular.

Mesmo sem tanta massa muscular Chris Froome é capaz de gerar um potência incrível em cima da bicicleta.

Como trabalhar a musculação para os ciclistas:

 

  • Se você nunca fez musculação antes, calma! Primeiro faça um período de adaptação, trabalhando com séries submáximas (que não levam a fadiga total) e repetições na casa dos 12-15 movimentos por série.
  • Dê ênfase, nessa fase, a aprender a correta execução dos exercícios e trabalhar possíveis desequilíbrios musculares entre músculos antagonistas ou entre membros (por exemplo, no caso de uma perna mais forte do que a outra). É interessante também trabalhar bastante a musculatura do Core.
  • Após 2-3 semanas de adaptação comece as séries de força.
  • Nas séries de força, prefira exercícios multi-articulares e de cadeia fechada.
  • Para os melhores resultados tenha supervisão de um bom professor de musculação.
  • Postura impecável, amplitude máxima de movimento e velocidade de execução correta são fundamentais para prevenir lesões e garantir o máximo de resultados.
  • Trate o treino de musculação como um treino de intensidade. Evite treinar forte no dia seguinte ao treino de musculação.
  • Se estiver muito dolorido no dia do treino de musculação, considere adiar o treino para o dia seguinte.

Bons treinos!

Fontes:Rodrigo Langeani

Você vai gostar também:

Para enviar seu comentário, preencha os campos abaixo:

Deixe uma resposta


*


*


Seja o primeiro a comentar!

Damos valor à sua privacidade

Nós e os nossos parceiros armazenamos ou acedemos a informações dos dispositivos, tais como cookies, e processamos dados pessoais, tais como identificadores exclusivos e informações padrão enviadas pelos dispositivos, para as finalidades descritas abaixo. Poderá clicar para consentir o processamento por nossa parte e pela parte dos nossos parceiros para tais finalidades. Em alternativa, poderá clicar para recusar o consentimento, ou aceder a informações mais pormenorizadas e alterar as suas preferências antes de dar consentimento. As suas preferências serão aplicadas apenas a este website.

Cookies estritamente necessários

Estes cookies são necessários para que o website funcione e não podem ser desligados nos nossos sistemas. Normalmente, eles só são configurados em resposta a ações levadas a cabo por si e que correspondem a uma solicitação de serviços, tais como definir as suas preferências de privacidade, iniciar sessão ou preencher formulários. Pode configurar o seu navegador para bloquear ou alertá-lo(a) sobre esses cookies, mas algumas partes do website não funcionarão. Estes cookies não armazenam qualquer informação pessoal identificável.

Cookies de desempenho

Estes cookies permitem-nos contar visitas e fontes de tráfego, para que possamos medir e melhorar o desempenho do nosso website. Eles ajudam-nos a saber quais são as páginas mais e menos populares e a ver como os visitantes se movimentam pelo website. Todas as informações recolhidas por estes cookies são agregadas e, por conseguinte, anónimas. Se não permitir estes cookies, não saberemos quando visitou o nosso site.

Cookies de funcionalidade

Estes cookies permitem que o site forneça uma funcionalidade e personalização melhoradas. Podem ser estabelecidos por nós ou por fornecedores externos cujos serviços adicionámos às nossas páginas. Se não permitir estes cookies algumas destas funcionalidades, ou mesmo todas, podem não atuar corretamente.

Cookies de publicidade

Estes cookies podem ser estabelecidos através do nosso site pelos nossos parceiros de publicidade. Podem ser usados por essas empresas para construir um perfil sobre os seus interesses e mostrar-lhe anúncios relevantes em outros websites. Eles não armazenam diretamente informações pessoais, mas são baseados na identificação exclusiva do seu navegador e dispositivo de internet. Se não permitir estes cookies, terá menos publicidade direcionada.

Visite as nossas páginas de Políticas de privacidade e Termos e condições.